Aura Henrique
Mércia Sena, mãe de primeira viagem, ficou bastante preocupada quando viu sua filha Mariana, de apenas três meses de idade, com manchas avermelhadas no pescoço. Ela não sabia que roupas fabricadas com tecido impróprio poderiam causar alergias se em contato com a pele sensível dos bebês. “Eu pensava que qualquer peça vendida nas lojas para crianças eram adequadas. Então comprava só pela beleza”, declarou.
Desconfiada com problema, Mércia procurou a clínica infantil Guri, no bairro da Boca do Rio, para pedir orientação médica. O diagnóstico da médica Ana Laura Martins, pediatra que atendeu a pequena, foi conclusivo: a criança apresentava um quadro de eczema de contato - mais conhecido por dermatite – motivado muito provavelmente pela fricção da pele com o tecido da roupa. Para ela, a situação pode também ter sido agravada pelo calor ambiente.
Exemplo de eczema de contato (dermatite) de fraldas
Google Imagens
Segundo a médica Ana Laura, o problema apresentado é mais comum do que se pode imaginar. Ela afirma que muitos pais procuram assistência pelo mesmo motivo. “As dermatites são as mais comuns”, disse. “Geralmente, são caracterizadas por coceiras, ressecamento, caroços, feridinhas e vermelhidão, como aconteceu com Mariana Senna”, acrescentou.
Mas para a médica as dermatites não são o pior. O grande vilão ainda são as complicações respiratórias, desencadeadoras de processos infecciosos, como secreção nasal intensa, além de contração das vias respiratórias e dilatação de vasos sanguíneos. Tecidos como a lã, são os que mais geram esse tipo de enfermidade.
A vendedora Jeane Almeda, da loja de moda infanto-juvenil Lollipop, no Shopping Paralela, acredita que nem todos os pais conhecem as diferenças entre os tecidos das roupas do bebê ou usam este critério para a escolha. Segundo ela, alguns procuram tecido de puro algodão, por recomendação médica, evitando o poliéster, tecido sintético resultado de processo químico. “As marcas mais vendidas são Malwee e Hering, porque são as de mais confiança para o consumidor”, explicou.
Na loja Camarim, todas as peças para crianças abaixo de três anos são produzida com tecidos antialérgicos, de fibras vegetais puras, orgânicas ou com tratamento industrial especializado. As marcas vendidas não são conhecidas, mas a vendedora Josete Sliva garante que as peças são de qualidade. “Vendemos muito para a faixa etária abaixo de seis meses, os preços variam de R$ 25,00 a R$140,00, a depender do produto”, disse.
Segundo o Guia do Bebê do Portal Uol, deve haver um cuidado redobrado com a pele dos recém-nascidos. O site informa ainda que os sistemas orgânicos dos bebês “são mais vulneráveis, em evolução”. A pele é “mais fina, tem menos pelos, com glândulas de suor imaturas, gerando maior sensibilidade ao calor e à luz do sol”.
O tecido certo - De acordo com o lojista e fabricante Antonio Andrade, o algodão ainda é a melhor opção, mesmo que a indústria têxtil venha investindo cada vez mais em tecidos tecnológicos, cada vez mais confortáveis. Especialistas afirmam que é importante o uso de tecidos arejados, que facilitem a respiração da pele. Tecidos feitos de fibras naturais favorecem a transpiração, como a viscolycra, o suedine e a cambraia. Para os pequeninos, o ideal é fugir dos felpudos.
Mércia Sena parece ter aprendido a lição. Desde então, dá preferência aos tecidos recomendados por especialistas e médicos. Agora, além de estarem sempre na moda, às roupas da pequena Mariana agregam conforto, leveza e flexibilidade, evitam dermatites e problemas respiratórios e proporcionam mais saúde.


Saiba mais sobre os perigos dos tecidos sintéticos aqui: http://itsagirl.com.br/2015/11/05/tecidos-sinteticos-o-perigo-escondido-no-armario-das-criancas/
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